Catequese Mistagógica

01/07/2012 20:40

A catequese mistagógica

Por frater Everaldo, scj

 

              Antes de falarmos em catequese mistagógica é preciso, que tenhamos em mente que sentido tem esta palavra na Igreja, visto que ela deriva do substantivo grego mistagogêin[1], atualmente pode se entender esta palavra por “CATEQUESE”, esta palavra foi introduzida no cristianismo, possivelmente por Santo Irineu; ao menos se tornou muito conhecido por suas pregações mistagógica.

              Visto que esta palavra mistagogia deve ser entendida na LITURGIA da Igreja, que é uma celebração de ação de graças, mistagogia é um caminho para o mistério, ou seja, uma iniciação/introdução/anúncio daquilo que se creem, no caso os mistérios de Cristo, em sua Encarnação, Vida, Morte, Paixão e Ressurreição.

              Uma vez entendido o que é, por assim dizer, mistagogia creio que se pode decorrer como é que a catequese deva ser mistagógica, ora, a catequese deve ser um anuncio daquilo que se vive, visto que sem o testemunho nada vale. No, entanto, visto que a palavra mistério dentro da Celebração da Igreja é uma palavra que não se esgota, visto que nunca se revela plenamente, exceto, na PARUSÍA[2], visto que sempre continua mistério aos olhos, daí a necessidade da fé.

              Quando digo que a fé é necessária para compreender o mistério, não estou dizendo, que a fé católica[3] seja irracional ou não precise da razão, pelo contrário, a razão é que pode dar explicação da razoabilidade da fé. Visto que a vida humana (a natureza humana) grita por uma explicação daquilo que “arde” em seu interior por crer, para ter um porto seguro, onde ancorar sua vida[4] para nós cristãos o Cristo Jesus, Ressurgido.

              Podemos dizer então, que a Mistagogia é uma iniciação nestes mistérios que não se esgotam. Visto assim podemos dizer que a catequese nunca termina, é e precisa de uma continua busca, uma busca permanente de conhecer, de saber mais é mais, visto que é um “POÇO[5]”, que nunca se esgota este mistério pode e deve ser buscado sem nenhuma reserva. É para a vida toda.

               O Documento de Aparecida ressalta muito essa necessidade, essa dimensão de ser discípulo de Jesus Cristo, culminando na palavra que é o seguimento. Ora o discípulo de fato segue o mestre, caso contrário não é discípulo. Cujo seguimento a partir do encontro pessoal com Cristo, faz apaixonar-se por Cristo, pelo seu projeto de vida plena para todos, então, faz com que o discípulo seja anunciador da mensagem.

              Então, se mistagogia é anúncio todo discípulo é necessariamente proclamador da Boa Notícia que recebe do Mestre. Sobretudo se este é um verdadeiro encontro faz o discípulo se entusiasma pelo que ouviu e deseja anunciar, para que os outros também façam a experiência, mas tem consciência de que não pode fazer o outro ter a experiência tal qual a sua, mas pode dar pistas, dar possíveis meios, apontar caminhos, para que o outro possa fazer também a experiência.

              Dito isto a catequese mistagógica não pode em hipótese alguma ser vista como uma “escola”, visto que na escola há de fato um ato ensinar, e na catequese um anunciar. Anunciar para que o outro por si só, por seu desejo e abertura possa desejar e experimentar. Feita a experiência, então ele será capaz de abraçar a liberdade plena que vem de Cristo e que esta, e é estar em Cristo.

              Posteriormente a esta adesão (a partir do encontro pessoal com Jesus Cristo), a missionaridade e comprometimento com o reino será de fato uma Boa Notícia; para tanto, é preciso que os (as) catequistas estejam preparados para anunciar de forma que transmita esta adesão por Cristo e seu projeto de Vida Plena para todos.

              Neste sentido poderemos então falar de uma catequese mistagógica e Kerigmática, sendo uma concomitante à outra. Caminhando juntas de mão dadas, como bem ressaltou o agora Beato João Paulo II, se referindo naquela ocasião à comunhão que deve haver entre fé e Razão. (Fides et Ratio).

              Fato é que ainda temos muito a aprender. Enquanto os alguns repetiam a frase “vivemos num mito do eterno retorno”.  Nós cristão anunciamos a realidade do eterno aprender, para anunciar a Boa Nova a todas as criaturas. Temos plena consciência de que nem sempre é fácil, mas temos uma boa razão para crer, viver e prender. Se esta vida dura pouco, pouco nos custa doar-se pelos outros, em vista da vida eterna.



[1] Definição dada no Livro: Mistagogias de Bento XVI.  Publicado no Brasil pela Ed. Vozes. 2007.

[2] Fim desta vida passageira e entrada na vida eterna; quando se dará a participação do ser humano na glória de Cristo em perfeita Comunhão com Ele.

[3] Fé Católica aqui compreendida como fé Cristã. Visto que a fé é um Dom de Deus, dado a todo gênero humano, ainda que este não professe seguimento religioso ou nunca tenha ouvido falar de Cristo.

[4] Para nós Cristãos o Cristo é onde “depositamos” nossa fé, nossa vida, visto que Ele é a fonte da vida.

[5] POÇO = substitui aqui a palavra Mistério, por isso nunca se esgota, nunca esta vazio, o que acontece é que as vezes perco a coragem para lançar o “balde”.